Pro Anta inicia monitoramento nas estradas de MS em parceria com a PRE

Publicado em 16.05.2015

Para evitar novas tragédias nas rodovias de Mato Grosso do Sul, como a registrada em janeiro deste ano, quando um casal morreu após colidir com uma anta na MS-040, o Programa de Proteção e Preservação da Anta Brasileira no Estado (Pro Anta) inicia nas próximas semanas o monitoramento de animais silvestres atropelados nos 15 mil quilômetros de rodovias estaduais, em parceria com a Polícia Rodovia Estadual (PRE).
Segundo o responsável pelo programa, o médico veterinário Álvaro Cavalcanti, o trabalho irá durar três anos. “No primeiro ano fazemos o monitoramento para identificar os corredores que esses animais estão usando. Depois fazemos um relatório que será usado parar executar medidas de prevenção de atropelamento”, explica.
A ação pretende mudar a realidade do Brasil, onde a cada segundo 15 animais silvestres morrem atropelados nas rodovias que cortam o país, número que corresponde a 475 milhões de mortes por ano ou a 1,3 milhão por dia, conforme o estudo do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) da Universidade Federal de Lavras (MG).
Para o comandante da PRE, tenente coronel Waldir Ribeiro Acosta, o trabalho vai unir o útil ao agradável. “Além de auxiliar no monitoramento, vamos realizar a fiscalização nas estradas. A ideia é encontrar os problemas pontuais na questão ambiental para implantar radares fixos e móveis. Assim reduzimos e minimizamos acidentes entre animais e humanos, evitando danos materiais e perda de vidas”, justificou.
 
PRO ANTA
O Programa de Proteção e Preservação da Anta Brasileira no Estado de Mato Grosso do Sul, o Pro Anta, está comemorando oito anos em 2015. Desde o início a ação tem ampliado as bases de estudos da anta brasileira no Estado, definindo suas prioridades para proteção e preservação da espécie.
A anta apresenta funções ecológicas extremamente importantes como o papel crítico na formação e manutenção da diversidade biológica ,desempenhando também o papel de espécie indicadora da “saúde” dos ecossistemas tropicais onde habita.
A extinção local ou declínio populacional dessa espécie pode desencadear uma série de efeitos adversos no ecossistema, desestabilizando alguns processos ecológicos chave tais como a predação e a dispersão de sementes.
Outro ponto relevante para a criação do programa é que o maior mamífero das Américas tem um ciclo reprodutivo bastante lento. São 13 meses de gestação, intervalo entre concepções de cerca de 24 meses, e nascimento de somente um filhote por gestação. Isso faz com que populações reduzidas por quaisquer razões tenham poucas chances de se restabelecerem na ausência de uma adequada intervenção de manejo.
Em pesquisas realizadas em nosso estado ficou evidente a carência de informações a respeito da ecologia das antas na natureza, o que justifica a realização de estudos e eventos científicos que produzam, compilem e discutam informações básicas sobre a ecologia, história natural, questões comportamentais e reprodutivas, ameaças, condições do habitat, entre outros pontos.
Estas carências de informações levaram os envolvidos no programa a implementarem planos de ações para conservação e manejo das populações de antas no Estado do Mato Grosso do Sul, em suas áreas de ocorrências.
O Pro Anta trabalha para contribuir para que a comunidade científica possa subsidiar e justificar seus esforços e convencer as autoridades sobre a necessidade de se promover políticas públicas racionais para o uso das áreas naturais, ou ainda sobre a importância de conservar e proteger esta espécie e habitats ameaçados.
EXTINÇÃO
Em uma recente avaliação do risco de extinção da anta brasileira, Tapirus terrestris (Linnaeus, 1758) – Tapiridae –, avaliado de acordo com os critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis até 2010, os pesquisadores ficaram preocupados com espécie que pode vir a se tornar quase ameaçada ou ser incluída em alguma categoria de ameaça no futuro, se a perda de habitat na Amazônia se concretizar. Por enquanto, a situação do animal no país é considerada vulnerável, em função de redução populacional ocorrida no passado e projetada para o futuro.
No Pantanal, a anta é considerada quase ameaçada de extinção, devido a redução populacional projetada para o futuro. A caça, queimadas, doenças infecciosas adquiridas dos animais domésticos e a perda de habitat para criação de pastagens são os principais fatores para esta classificação.